quarta-feira, 30 de maio de 2012

O VALOR DA AMIZADE



“Se eu não fizer o que tu quer, mesmo assim tu vais continuar sendo minha amiga? “

Ouvi essa frase de minha sobrinha de 6 anos, quando tentei convencê-la a extrair seu dente de leite que estava por um fio.

Achei ensejo para muitas reflexões quando ouvi isso.

Ponderei na ingenuidade, inocência, infantil e do quanto amo isso, de não fazer joguinhos, de falar o que se pensa.

Pensei também, e mais detidamente, sobre a questão da amizade. Ela me deixou claro, naquele momento, o quanto minha amizade é importante pra ela, como ela valoriza. Isso me lisonjeou e enterneceu.


Ao longo de minha vida sempre tive muitos amigos. Ou melhor, na infância eram pouquíssimos, eu era tímida e muito introvertida. Na adolescência comecei a ser mais falante e com isso acabei fazendo mais amigos.

Fiz amigos na escola, na academia, na vizinhança, em cursos, na faculdade e das maneiras mais inusitadas possíveis.

Gosto de conversar com as pessoas e faço isso em qualquer lugar. A princípio, gosto de todo mundo.

Com isso, muitas amizades são formadas.

E, principalmente, PRESERVO a amizade, mantenho-a viva.

Não esqueço de aniversários, de mandar um mail, um cartão...respondo a cumprimentos, e-mails, cartas...

Quando não havia internet, era mais difícil, tinha que ir no correio, mas mesmo assim sempre fui. Faço questão!

Acho que essas delicadezas são fundamentais para manter a amizade VIVA! Pensar na pessoa, apenas, não basta, por que ela nem sabe disso. Então, gosto de fazer um agradinho, para alegrar a vida dela naquele dia, pra que ela saiba que gosto dela de verdade. Acho tão simples, tão fácil!

E dizer que não tem tempo, francamente...A gente arruma tempo pra tanta coisa, não é?

Acho que faço por que VALORIZO as pessoas, as amizades.

Naturalmente que amizade não é só isso. Ela tem um sem número de representações.

Já muito se escreveu sobre o assunto e seria redundante qualquer coisa que eu pudesse também escrever aqui. Mas ter amigos sinceros, verdadeiros, é uma dádiva. A lealdade, pra mim, é uma das melhores virtudes que qualquer pessoa possa ter, mas num amigo é fundamental!


No começo de minha vida social, sofria muito com as falsidades, mas com o tempo, aprendi a aceitar isso (pero non mucho).

Na verdade, temos muitos 'conhecidos', por que pra chamar alguém de AMIGO considero uma coisa muito séria, especial.

Minhas amizades são as mais variadas possíveis. Não estabeleço regras, nem tenho preconceitos e já fui criticada por isso. Muitas pessoas achavam que eu me tornaria igual a pessoa que eles condenavam, apenas por sair com ela. Com o tempo, perceberam que isso não iria acontecer por que tenho a 'cabeça no lugar', com uma personalidade firme e delineada (e também detesto “Maria-vai-com-as-outras”).


O amigo verdadeiro tem que chorar contigo e se alegrar também. Não há espaço para inveja. Ele não espera que tu peças, se oferece.

Já trabalhei em terapia sobre ter expectativas muito altas com relação à amizade. Resolveu em parte e hoje consigo ser menos exigente, mais flexível, mais compreensiva (eu disse menos, não deixei de ser ainda).

Interessante que, com o tempo, as amizades vão mudando também. Ou nós é que mudamos com relação à essas mesmas amizades? Tem amizades que não evoluem com a gente. Tem um momento que não temos mais nada em comum com aquela pessoa, nos distanciamos, e há ainda aqueles que nos perguntamos como algum dia pudemos pensar que tínhamos.

Temos fases e, em certas épocas, nos aproximamos mais de um tipo de pessoa. Quando a fase passa, estranhamos.


Há amigos que são pra vida toda, que a cada vez que nos encontramos parece que o tempo não passou, mesmo que tenha passado 20 anos! Nós mudamos juntos, mesmo a distância, e nos aceitamos e respeitamos nessa nova 'embalagem', nessa nova essência. A pessoa tem novos hábitos, outra forma de se comportar e ver a vida, mas isso não abalou a amizade. Pelo contrário! Aprendemos com esse novo jeito de ele/ela ser.

Há amigos com quem me entendo apenas pelo olhar. Em outros, amo o senso de humor.

Há aqueles que admiro a solidariedade. Em outros, a delicadeza nos gestos, a boa educação, a discrição.

Há aqueles que me levantam, me põem pra cima, me incentivam. Outros são cúmplices.

Há os perto e os distantes, aqueles com quem me comunico só por e-mail.

Há aqueles que nunca esqueci, mesmo tendo passado muito tempo.

E aqueles que nem quero lembrar que um dia conheci.

Há aqueles que me emocionam, que me deixam irritada, que me fazem rir, que me impacientam...

Enfim, tenho todo tipo de amigos e quero continuar cada vez mais aumentando esse círculo, por que todos precisamos uns dos outros e “NINGUÉM É FELIZ SOZINHO”!





segunda-feira, 21 de maio de 2012

MUDAR É PRECISO





Tem momentos ou fases em nossas vidas em que percebemos a necessidade de mudanças.

Podemos mudar qualquer coisa, mas que tal começarmos por 'dentro' ?

Acho que devemos fazer constantes reavaliações em nossos comportamentos e em nossas relações.

Já faz tempo que me proponho mudar em algumas coisas e tenho conseguido certo êxito.

Penso que devemos ser muito sinceros conosco e perceber que certos comportamentos nossos podem e devem ser mudados quando estão nos trazendo insatisfação ou complicando muito a vida.


Mas aí esbarramos no primeiro obstáculo, que é a mudança em si. Num outro post falava da mudança de hábitos e exemplificava com os hábitos alimentares. Graças a minha mudança de hábitos, eliminei 15 quilos, além de melhorar sensivelmente minha saúde. O começo foi difícil, como sempre é, mas me mantive firme e logo os novos hábitos passaram a fazer parte de minha vida de um jeito bem natural, sem sofrimentos.





Agora quero me referir a mudança de comportamento, de atitudes.

Primeiro a reflexão, como disse. Identificar em como aquilo no incomoda ou ao outro.

Tenho a mania de ficar de mal, de ter melindres, ficar chateada e logo parar de falar com alguém. Isso me trazia muitos incômodos e chateações e decidi romper com esse comportamento. Na relação custo-benefício, identifiquei que logo minha raiva da pessoa passava, mas o orgulho (sempre ele) fazia com que eu não a procurasse, nem abrisse a guarda para que ela me procurasse e retomássemos a amizade ou relação. Ainda não consigo deixar de ficar chateada, mas comemoro meu novo comportamento de procurar pela pessoa, mesmo quando acho que tenho razão. Ponto pra mim!


Agora meu novo comportamento é não aceitar provocações. Percebo que algumas pessoas gostam de me provocar e eu sempre reajo. Decidi que irei segurar a língua e não responder. Lembro sempre da lição do Chico Xavier e do Emmanuel e da 'água da paciência'. É bem curtinha e vou contar:

O Chico muitas vezes quis responder aos seus detratores e Emmanuel o aconselhou a, nesses momentos, encher a boca de água e não engolir, que era pra ' refrescar a língua'. Chamou essa água de água da paciência.


Lembro também de uma passagem que li certa vez, que dizia que há mais heroísmo em suportar um insulto do que rebatê-lo e que os orgulhosos não compreendiam isso.

Realmente demanda muito heroísmo ouvir alguém nos provocar, ter a resposta na ponta da língua e preferir calar. Descobri que nesse gesto o efeito é mais arrasador ainda, por que o silêncio 'esvazia' a provocação. Por enquanto ainda estou na fase de me segurar e obter um prazer quase sádico em ver a outra pessoa se retorcendo, inquieta, por não atingir seu objetivo. Dia chegará que evoluirei ao ponto de ter pena dele/dela e entender que tudo isso é tão pequeno...


É um exercício de paciência esse meu silêncio, mas está ficando a cada dia mais fácil.

Com isso percebo que consigo me dominar, dominar meu comportamento meio bélico, que não leva desaforo pra casa e, assim, aos poucos, vou me descobrindo e as infinitas possibilidades que tem o ser humano de evoluir, se souber ter 'olhos de ver'

Todo dia temos a chance de um novo começo.

 






(IN) SEGURANÇA


Quando éramos crianças, muitos de nós já apelou para a mãe (ou para o pai) numa disputa com um irmão, não é? Queríamos que o adulto resolvesse nosso problema, arbitrasse a nosso favor. Isso era reconfortante, por que sabíamos que tínhamos a quem recorrer. Muitas vezes eles se isentavam, não estavam a fim de se envolverem em nossas confusões e litígios.

Na semana passada me senti novamente assim, mas estranhamente não tinha a quem recorrer.

Na verdade, acho que toda a população deve se sentir assim com relação a nossa (in) segurança pública.

Diariamente assisto ao jornal da RBS e eles estão fazendo uma campanha maciça sobre esse assunto, mostrando nossa vulnerabilidade.

Vamos começar pelos caixas eletrônicos. Existe uma gang (sempre quis escrever essa palavra) especializada em roubos a caixas eletrônicos no Estado e no Brasil.

E eles saem explodindo ou abrindo com maçarico esses caixas eletrônicos quase que diariamente. Na semana passada chegou ao ponto de 'amadores' (provavelmente) explodirem um caixa eletrônico que só emitia talões de cheques, não tinha dinheiro e era o único da agência. Além disso, os ladrões assaltaram por volta de nove e meia da noite (um horário não muito aconselhável, por ainda ser cedo) e não voltaram para buscar o que pretendiam roubar. A coisa está tão fácil que o crime está mesmo fazendo escola (só que esses faltaram a aula).


Mostra-se também na TV que a maioria dos estabelecimentos comerciais da Grande Florianópolis e municípios vizinhos é assaltada também com uma frequência enlouquecedora.

Os postos policiais foram praticamente todos desativados.

Há muito tempo não vejo policiais circulando pelas ruas.

Quando se convida os 'chefões' da polícia para entrevistas no Jornal do Almoço (RBS), eles invariavelmente se tornam ridículos com suas evasivas, por que sabem o que acontece, mas não podem falar (provavelmente).

A coisa está tomando um vulto tão grande, é tanta marginalidade solta que a gente se arrepia!

Os ' di menor', são os que mais cometem delitos, por que sabem da impunidade por causa da idade.


Outro dia, para um acerto de contas, dois adolescentes entraram num hospital e mataram um terceiro jovem, que estava internado.

Nós sempre estivemos reféns da marginalidade, mas nunca como agora!

E foi aí, que me senti como descrevi lá no início: para quem vamos apelar?


Se antes, com a polícia, já havia tantos crimes, agora que eles sabem que não tem 'efetivo' nas ruas, literalmente 'deitam e rolam'.

Antigamente a imprensa tinha força e, quando havia uma matéria destas, logo tinha repercussão, alguma providência era tomada. Mas agora as pessoas ficam apáticas, o poder público simplesmente finge ignorar, como se fosse um caso isolado e tudo fica por isso mesmo.

É uma sensação de desamparo, de desproteção. Ficamos impotentes e inseguros diante desse barbarismo todo e sem previsão de terminar, muito pelo contrário.

Isso causa uma perplexidade e uma frustração que nos faz pensar que realmente estamos caminhando para um beco sem saída.

E não dá nem pra chamar a mãe !


sexta-feira, 4 de maio de 2012

O RESSENTIMENTO





A própria palavra já diz tudo: re-sentimento, sentir novamente, sentir de novo.
E é assim que o ressentido age, sentindo infinitas vezes o mesmo sentimento.
Alguém me ofendeu. Quais as opções que tenho? Re-sentir aquilo que o outro provocou no primeiro momento, alimentando esses sentimentos negativos muitas vezes, lembrando e lembrando, ou procurar compreender e esquecer? Ou, talvez, se não conseguir esquecer, procurar não lembrar?
Já se disse certa vez que “ ter ressentimento ou mágoa, é tomar veneno esperando que o outro morra”. E é a mais pura verdade. O ressentimento envolve raiva, mágoa e orgulho. É dar a si mesmo exagerada importância. Quem é muito melindroso, está sempre ressentido.


Acho que quando acontece algo que nos magoa, quando alguém fala ou faz algo assim, se deve pesar na balança o que vale mais: a amizade, o carinho que se tem pelo outro ou aquilo que ele disse ou fez, muitas vezes sem nenhuma intenção de magoar? É natural que a gente fique magoado com certos acontecimentos, com certas pessoas, mas por algum tempo.
Eu, por exemplo, sempre fui de ficar ressentida, magoada por bobagens. Ficava sem falar com as pessoas por tempo indeterminado, numa sensibilidade exagerada.
Hoje, mais madura e com muito esforço, compreendi que perde-se tempo demais 'ficando de mal', como se diz popularmente. Compreendi que é um exercício contínuo (nem sempre fácil) abster-se da raiva e mágoa do outro, para perdoá-lo e deixar passar.
Procuro pensar na personalidade da pessoa, em como ela própria pensa ou age, no momento que ela está vivendo, procuro pensar que talvez ela não tenha tido a intenção.
E, se teve, então quer dizer que falta muito chão ainda para ela caminhar, para ela evoluir.
Me sinto infinitamente melhor agindo assim e procurando não relembrar a toda hora o que aconteceu. Quando me ressentia, sofria até fisicamente, com dores de estômago e falta de ar. Ficava literalmente 'bufando', suspirando.
Então, hoje, opto pela indulgência. Fico chateada, é normal. Fico magoada, triste, decepcionada, mas tudo na hora ou por alguns dias. Depois passa e volto a falar com a pessoa. Anseio pelo dia em que voltarei a falar com a pessoa sem esforço de minha parte, realmente esquecendo o que aconteceu. Na verdade, ao falar com ela, após ter sido magoada, me esforço, sim, por que acho que estou 'certa', mas não finjo um sentimento que não sinto. Não finjo que está tudo bem, se no íntimo ainda estou com raiva. Só volto a falar com ela, quando realmente está tudo bem. Já conheci pessoas que ofendi, com a clara intenção de ofender, num arroubo de sinceridade, depois de estar farta de uma determinada situação. Mas depois passou. A pessoa voltou a falar comigo naturalmente e, só muito tempo depois, fui perceber que era tudo falsidade, que ela ainda se ressentia. Fiquei chocada e penalizada. Quanto sofrimento para essa pessoa, não? Fingir que esqueceu!


Li na internet o texto abaixo e gostei muito da definição de ressentimento, por que é mais ou menos como penso e, por isso, transcrevo:
“ Para mim só há uma forma de perdoar, é reconhecer-se no outro. Reconhecer sua própria imperfeição e buscar compreender o que move o outro. Perdoar, está diretamente ligado à capacidade que cada um tem de perdoar a si mesmo, pois requer enfrentar os próprios medos, julgamentos, injustiças, limitações, olhar para a própria vida e lembrar de quantas vezes já errou e desejou ser perdoado. Somos seres humanos, estamos em constante processo de aprendizagem e evolução. E nesse caminho muitos erros acontecem, e também acertos.
Humildade! Um jeito de ser que faz toda a diferença. Faz com que cada pessoa se torne especial, importante.
O perdão requer autoconhecimento, inteligência emocional, responsabilidade, humildade e deve ser praticado entre aqueles que se amam.
Se for o seu caso, por que não perdoar?
Quando somos machucados em nosso íntimo, em nossa alma, em nossos sentimentos, tendemos a manter a raiva dentro de nós e isso só faz crescer a mágoa e afastar as pessoas. Podemos e devemos entender que pode parar de doer se formos capazes de perdoar.
Não perdoar é manter o papel de vítima, que não permite crescimento. É manter a raiva, mágoa, o rancor, pois mantém uma situação do passado, que influencia o presente e compromete não só o futuro, mas as relações de maneira geral, fazendo com que se rompam. Geralmente as pessoas com dificuldade em pedir perdão ou perdoar, tendem a ser rígidas, inflexíveis, críticas com o outro e principalmente, consigo mesmas.
Vale lembrar que perdoar não significa necessariamente esquecer a mágoa e aceitar o que foi feito, mas sim superar, elevar, ver por outro ponto de vista e valores e praticar a empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro.
Mas, se para perdoar tiver de passar por cima de princípios básicos, questionar sua própria identidade, é mais indicado deixar um pouco o assunto de lado e repensar em outro momento.
Quem somos nós para julgarmos a atitude de alguém? Por mais prejuízos que se possa ter, o maior prejuízo é viver mal consigo mesmo e com seus sentimentos, e e dificuldade em perdoar pode ser reflexo de não conseguir perdoar a si mesmo.”
Acho que a coisa mais triste no ressentimento é a pessoa tocar sempre na mesma tecla. Volta e meia o assunto vem à tona. Ela remói aquilo indefinidamente!
Há aquela eternas vítimas também, que atraem para si muito trabalho, muitas tarefas e depois ficam alardeando 'aos quatro ventos' como sofrem!
Um exemplo clássico é o da mãe que diz que trabalha muito, faz tudo por todos e ninguém reconhece. Ora, e por que faz então? Delegue! Distribua tarefas! Converse com os outros!
A pessoa não é vítima dos outros. É vítima de si mesma! Ela própria se acha um/uma mártir! Parece que o prazer está na reclamação! Ela alega, geralmente, que ninguém faz ou fará, mas na verdade o erro está na atitude dela que não consegue resolver a situação, apenas se queixar, se vitimizar.
Essa pessoa não tem coragem de dizer aquilo que quer, apenas se queixa. Ou se diz o que quer é também em tom de queixa, com raiva, lamentando-se.
Só uma pessoa que tem boa autoestima é que consegue ser assertiva, dizer não, não 'puxar' para si todas as tarefas. Essas pessoas dizem que são 'responsáveis', mas sabem, bem lá no fundo, que na verdade elas gostam de ser imprescindíveis, que os outros 'dependam' delas. Tem medo de dizer não, de dizerem o que querem e serem rejeitadas. Quando se vêem sobrecarregadas, aí começa a lamentação.
O ressentimento, a decepção de ver que seu esforços não conseguiram o que ela queria (ser admirado), é que está por trás de toda essa lamúria. Se todos elogiarem a pessoa por ser tão trabalhadora, tão prestativa, ela dificilmente se queixará....
Uma coisa é certa, nisso tudo. Para não ficarmos ressentidos, precisamos nos auto conhecer, ser compreensivos, indulgentes e tolerantes. Além disso, adquirir a melhor das qualidades: amar ao próximo verdadeiramente. Só assim nascerá o perdão.


 

terça-feira, 24 de abril de 2012

ONDE ESTÃO NOSSOS VALORES?


Acordei hoje pensando em todas as notícias com que sou bombardeada diariamente, na maioria das vezes logo cedo, ao assistir ao jornal matinal.
Bem, vejamos, então: “Paul McCartney chega ao Estado de Santa Catarina. No hotel, de roupão, ele vai à piscina.”
E daí?
Mas é Paul McCartney!! (Sir Paul McCartney, na verdade).
Sim, é daí?
Compreendo que as celebridades e os ídolos (são departamentos diferentes), causem comoção, que as pessoas os idolatrem (ídolo), os adorem, mas, sinceramente tenho dificuldades em aceitar isso.
Sempre quis ter ídolos durante minha juventude, mas não consegui. O mais perto que cheguei disso foi com Os Menudos (na verdade, eu ia na onda das minhas amigas adolescentes - 15 anos - que realmente os adoravam). Eu queria ter um ídolo e, por isso, adotei o delas. Mas nunca senti de verdade essa adoração, essa empolgação que as pessoas sentem. Nem sei por que.
Gosto do Paul McCarntney, como sempre gostei das músicas dos Beatles também. Mas é só. Tem diversos cantores, atores, artistas em geral, que eu gosto do trabalho, acho talentosos, mas não consigo endeusá-los.
Talvez, por tudo isso, eu ache difícil entender (e até aceitar) que uma pessoa tenha esse status de 'deus' para as pessoas.
Nosso Estado não tem policiamento, são assaltos todos os dias, diversas ocorrências, mas no show do Paul haverá 500 policiais disponíveis! O batalhão do Bope está guardando o resort em que ele está hospedado! Sinceramente, não entendo.
Além disso, se ouvirmos Paul cantando hoje, ele, que nunca teve uma excelente voz, agora tem a voz de um senhor (e de um senhor que não se cuidou, abusando de bebidas e outras drogas). É uma voz trêmula, meio rouca, meio desafinada. Mas as pessoas relevam isso em nome do que ele sempre representou para a música.


Ronaldo, o ex-'fênomeno', também é endeusado, mesmo tendo largado o futebol, mesmo estando completamente fora de forma, não sendo mais um atleta. Ele até se dispôs a ser presidente da CBF no lugar do Ricardo Teixeira, quando este deixou o cargo. Naturalmente se baseou apenas na sua popularidade, como tantos outros. Assim, temos o Rei Roberto Carlos, o Rei Pelé, o Rei de Roma (Falcão), o Imperador Adriano, a Rainha dos Baixinhos (Xuxa), a Rainha do Axé (Daniela Mercury), o Rei do Baião (Luiz Gonzaga) , o Rei do Pop (Michael Jackson) e por aí vai...( é muita realeza, não?)
Hoje li, estupidificada, que um menino de 4 anos ( isso mesmo, 4 !) na Arábia Saudita, matou o pai com uma pistola, por que ele se recusou a dar-lhe um play station, um vídeo game!
Ontem, foi um menino de 12 (!) anos que dirigia um caminhão de carga na BR 101, com a anuência do pai, que ia num carro de passeio na frente, junto com o dono da carga (ou do caminhão, não sei). O pai ainda disse que “o menino está acostumado, não é a primeira vez”.
Também me surpreendo com a excessiva valorização que as pessoas dão ao corpo, como tudo gira em torno disso. Para mim um corpo deve ser bonito, harmônico, mas principalmente saudável.
A mesma coisa com o que se veste. Ouvi colegas comentando outro dia sobre um desfile que tem anualmente num shopping de nossa cidade e do que 'está na moda', do que se irá usar neste inverno.
E daí?
Acho que a gente escolhe uma roupa de acordo com nosso gosto, do que nos fica bem, pela cor, se é confortável, bonito. Pronto! Por que devo achar interessante usar algo que 'todos estão usando' ? Qual a graça disto?
Só posso imaginar que tenha a ver com aceitação, com a necessidade que o ser humano tem de se sentir aceito por seus pares.
Penso que todos os anos temos greve na educação, já mais ou menos como uma data do calendário oficial. Lembrei que Lula não estudou e, por isso mesmo, deveria ter priorizado isso, sabendo das dificuldades que a população enfrenta. Ao mesmo tempo, lembrei do Fernando Henrique, tão culto, estudou tanto e não conseguiu dar um impulso na educação como deveria.
O que faltou? Acho que não é mesmo interessante para os políticos que o povo se instrua.
A saúde é outro caos. Não consigo ver as pessoas precisando de cirurgias, de atendimento urgente e esperando em macas ou mesmo sendo mandados embora, por falta de médicos, de medicamentos...
Fico pensando em tudo isso, e talvez entenda por que a Terra ainda seja um planeta de provas e expiações, como nos afirma o espiritismo...


quinta-feira, 12 de abril de 2012

MINHA SAGA



Escrevi um livro. Isso mesmo! Um li-vro!
Por sempre ter gostado de escrever, sabia que naturalmente esse dia chegaria. Mas teve um empurrãozinho. Minha amiga Rogéria, que foi minha madrinha no trabalho e na educação de minha mediunidade, também colaborou para que eu escrevesse o tal livro. Ela me pedia um romance, dizia que eu tinha jeito, sempre me incentivando. Além dela, outras pessoas também falaram sobre isso, mas mais discretamente.
Eu queria mesmo escrever, mas adiava por que queria ter 'a inspiração' para uma história interessante, algo atraente. Não queria o lugar-comum, mas não tinha ideia do que queria.
Um dia, estava 'aberta' para idéias e elas surgiram. Estava vendo TV e uma frase surgiu na minha mente: “Ela dobrou a esquina e apressou o passo, pois a chuva não demoraria a cair.” Ponto. Assim mesmo: uma frase inteira e, sem saber de onde ou para onde, anotei. Normalmente confio na memória para minhas idéias, mas desta vez senti necessidade de anotar. Não sabia ainda o que faria com essa frase, mas anotei.


E, um ou dois dias depois, a partir dela, escrevi o romance.
Tenho consciência de que 'inventei' tudo, mas em alguns trechos fui livremente inspirada e tenho certeza disso.
De qualquer modo, foi uma delícia e um tormento escrever. Não sou uma escritora profissional, que só faça isso o dia inteiro. Tenho minha vida própria além da escrita, além dos livros, e ela continua.
Me sentia impelida a escrever, mas muitas vezes as idéias jorravam em momentos impróprios, como antes de adormecer ou em lugares em que não poderia pô-las no papel.
Outras vezes, sentada diante do computador, não sabia o que fazer com os personagens. Sentia que toda 'aquela gente' dependia de mim e estavam esperando um desfecho para suas vidas imaginárias.
Me apeguei a alguns personagens, como se fossem reais, e até sinto saudades deles em alguns momentos hoje. Piração? Talvez. Mas é divertido também. A delícia reside aí, em criar, em dar rumo aos personagens, ao invés de apenas acompanhar, como faço quando estou lendo.

Havia dias em que escrevia trechos inteiros, completamente envolvida, e até esquecida de onde estava, de ser uma pessoa, de ter um corpo, apenas vivenciando aquilo tudo, como se estivesse realmente lá, como observadora e, ao mesmo tempo, mentora de tudo aquilo.
É uma experiência maravilhosa essa da escrita, mas também tormentosa, justamente por não sabermos, em muitos momentos, que rumo dar, como aquilo irá terminar, aonde queremos chegar. Com o tempo, vamos ficando mais calmos e delineamos um rumo, mas até chegar a esse momento...
Sempre que acabava o 'serviço' de escrever daquele dia, enviava para algumas pessoas e minha amiga Rogéria SEMPRE dava retorno, acreditando em mim, curiosa para saber o que aconteceria no momento seguinte e chegou a me dizer que era uma tortura passar por isso, pela espera. Realmente essa participação dela foi decisiva para que o livro tivesse início, meio e fim.
Bem, o livro foi escrito e colocar a palavra FIM encerra muitas emoções.
É a sensação de dever cumprido, de satisfação por ter chegado a termo, por ter conseguido. Mas, ao mesmo tempo, se sente uma certa nostalgia por não ter mais aquela tarefa, por não 'encontrar' mais diariamente com aqueles personagens, por não ter mais um objetivo.
É mais ou menos o que a gente sente quando lê um bom livro, daqueles bem grossos, ou quando se assiste uma novela de que gostamos muito.
Bem, e agora? Um próximo livro?
Certamente que virá. Mas deixemos a inspiração chegar. Preciso descansar também, pois esse 'compromisso' que me impus, é um pouco pesado.
Não tinha a pretensão de publicá-lo, mas...
Achei que ficou muito bom. Sem falsa modéstia. Como disse, à medida que escrevia, repassava para minha mentora encarnada, Rogéria, e para outras pessoas que estimo e que gostaria de ter a opinião. Poucas pessoas, na verdade. Aqueles para quem mandei e não me atualizaram com comentários, não continuei a mandar.
Gostei do livro e achei que deveria, então, mandar para alguma editora, embora saiba que não é fácil publicar um.
Não tenho nem vaidade, nem ambição com relação a isso e acho que nunca faria uma noite de autógrafos, por exemplo, se o editor não me obrigasse. Tenho vergonha.


Mas tenho a satisfação de tê-lo escrito e gostaria de dividir isso pelo menos com meus amigos e familiares. Se pessoas estranhas o lessem, me daria a satisfação de saber que realmente ficou bom, ao ponto de que quem não me conhece também se interessar em ler. Só isso.
Todo esse trabalho apenas para dividir com alguns. Não queria nada além disso, por que o prazer maior está em fazer, em escrever e em saber que posso.
Como dizia lá no alto, achei que ficou interessante o suficiente para mandar para uma editora.
Escrevi para uma cujos livros leio com frequência e recebi a informação de que deveria mandá-lo para que o analisassem.
Que boa notícia!
Depois, um pouco impaciente, embora nem tivesse passado uma semana, resolvi escrever para outras editoras também. E fiquei chocada com esse meio.
Não sabia como são 'dinheiristas', 'secos', e que lutam encarniçadamente pelas coisas e ainda tratam o autor como 'mais um' (meio óbvio isso, mas tudo bem), como se eles estivessem fazendo um favor para o autor! Incrível!
Tem uma editora, muito conhecida, que tem até manual, mas o manual é de chorar! Quem o escreveu pode ter mostrado o caminho das pedras, pode ter sido bem realista, mas também escreve de maneira muito crua, muito grosseira até, eu diria. Ele deixa a gente deprimida.
Se eu tivesse sérias aspirações em me tornar uma autora 'profissional', alguém reconhecido, teria que ter muita autoestima, muita confiança no próprio taco para seguir adiante, por que não é fácil, não. Além disso, eu categorizaria os livros deles como 'bonzinhos', mas nada demais, para eles tratarem uma pessoa daquele jeito. Inclusive, incluem um questionário no fim do tal manual, que me fez sentir alguém da época da ditadura do tipo 'tortura nunca mais!' Sabe? Parecia que eu tinha feito algo errado!
E isso era o manual, para qualquer um ler, não era dirigido à mim, mas me deixou assim. Pobres autores novatos...
Outra editora respondeu ao meu mail assim, simplesmente: Sobre o que trata o seu livro? Sabe quantas folhas dá no word?
Sem cumprimentar, sem se despedir, sem assinar. Não sei quem me perguntou isso, apenas que é daquela editora. E uma editora reconhecida no mercado!
Eles querem ser práticos, objetivos e devem receber centenas de porcarias por dia, mas não sabem diferenciar uma pessoa da outra e que isso é realmente um negócio. E eu sou uma cliente!
É uma transação que pode não dar em nada, mas pode ser vantajosa para ambos. Eu posso ser uma autora conhecida algum dia. Quem pode dizer que não? (Sinceramente, cá entre nós, acho que não MESMO), mas de onde vieram os autores que conhecemos? Do anonimato!
Apenas a primeira editora foi educada, simpática e me deixou tranquila, do tipo 'se der, deu.'
Vou aguardar resposta das outras editoras, mas sem pressa, sem expectativas. Quero até me esquecer disso, que é para não ficar ansiosa. Na verdade, já estou pensando no próximo livro e, se não for publicado, não tem importância.
Só quis deixar registrado aqui todo esse processo e do quanto me surpreendi com o meio, principalmente por meu livro ter a temática espírita e, supostamente, os editores desse tipo de livros, também o serem. É decepcionante lidar com isso.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

A PESSOA COMO É E A PESSOA QUE NÓS QUEREMOS QUE SEJA


Tenho um defeito que se tornou um verdadeiro estorvo para mim. Sempre tento transformar as pessoas em como eu gostaria que elas fossem. Por exemplo: vejo que uma amiga é falsa, passa rasteira nos outros, mas tenho a ilusão de que, comigo, é ela é amiga sincera. Mas não é e, cedo ou tarde, percebo isso. Isso tem sido assim durante toda minha vida. Não acredito no que meus sentidos, minha intuição me dizem. Prefiro acreditar que a pessoa só é assim, por que a vida a fez assim, mas se eu mostrar a ela que pode ser diferente, se eu for sincera com ela, quem sabe ela veja que pode ser sincera comigo também, que não há necessidade de defesa.
Não é o que acontece e 'n' vezes já me dei mal por isso. Aí, fico chocada com o comportamento da víbora, da cobra criada por mim mesma.
Em terapia, tentei trabalhar isso e a psicóloga me disse que eu espero muito das pessoas, tenho um nível de exigência muito elevado, crio muitas expectativas. Talvez seja isso mesmo.
E é prepotente da minha parte achar que posso mudar alguém, mas, na verdade, há boa intenção nisso. O que quero é que a pessoa veja que, se no passado ela foi magoada, há pessoas que não tem por que passar a perna nela, puxar o tapete, essas coisas. Há pessoas que se entregam a uma amizade, sem querer nada em troca. Há pessoas que fazem um elogio por que ele é real, que acha que a pessoa deve ter conhecimento do que tem de bom, de que está usando algo bonito, essas coisas. Mas essas pessoas são desconfiadas e 'interpretam' o que a gente diz, muitas vezes distorcendo. Acho que o pior tipo de amizade é aquela que 'mina' (como já ouvi alguém dizer e achei a expressão adequada) o que a gente diz ou faz, desqualificando, distorcendo e muitas vezes, fazendo os outros criarem uma imagem nossa que não é a verdadeira. Quando percebemos isso, como desfazer, sem parecer que estamos nos justificando?


Naturalmente, que isso não é amizade. Mas eu insisto, por que gosto de outras coisas na pessoa e não gosto de viver desconfiada. Uma vez, fiquei chocada quando vi duas pessoas se cumprimentarem, fazerem gracejos uma com a outra e, depois, a que estava comigo, falar mal da outra. E ainda completar que aquela relação era tudo de aparência! Por que, então? Para quê, melhor dizendo! É medo de expor seus sentimentos? Medo da rejeição, de se mostrarem como são? Para poderem conviver? Para mim, não faz sentido.
Se não gosto de alguém, seja por que motivo for, simplesmente ignoro a pessoa. Não tenho por que sorrir para ela, tratá-la bem, como se nada houvesse. Sou educada, até cumprimento, mas friamente. Só. Para que complicar? Acho que fingir que gosto dela é um desgaste tão grande para minha saúde, que não vale a pena. Nem tenho nenhum objetivo com isso, de mostrar algo que não sinto. Então, para quê?
Mas assisto o tempo todo essa vida de relações das pessoas, do quanto fingem que gostam umas das outras e, logo em seguida, mostram o contrário, seja com palavras ou atitudes.
Não gosto de ver isso nem em novela! E tem pessoas que acham divertido ver uma personagem mostrar-se inocente e logo em seguida, mostrar a verdadeira face, maquiavélica. Acho repugnante, sinceramente.
Tem pessoas que aceitam isso bem, que vêem a falsidade alheia, mas não se incomodam, apenas desviam. Sabem se defender e não se chocam com o que o outro é capaz de fazer. Acho que uma boa maioria das pessoas é assim, mas não consigo ser. Me entristeço quando percebo que a pessoa que se diz minha amiga acha que estou sendo falsa, fingindo algo que não sinto. Definitivamente, ela não me conhece.
Não é que eu não veja, mas não quero acreditar no que eu estou vendo. Talvez por isso, minta para mim mesma. Gostaria de aceitar as pessoas como elas são, com esses defeitos e tudo o mais.


Não me sinto superior por querer mudar alguém, mas é que acredito, piamente, que com aquela pessoa será diferente! Que aquela pessoa só é assim, por que não conheceu o outro lado. Que dentro daquela pessoa reside alguém sensível, que se endureceu por que a vida o transformou assim. Que aprendeu a dar o tapa, antes de apanhar. Mas, infelizmente, com o tempo acabo percebendo que, na verdade, eu é que fui a ingênua em ter acreditado nisso.
Jesus já dizia: sê manso como as pombas e prudente como as serpentes. Se até Ele, o Mestre, já sabia disso naquela época, que dirá eu! Acho que nunca vou aprender mesmo...
O que acontece é que as pessoas são como são, com suas qualidades e defeitos e precisamos aceitar isso. Não adianta achar que elas mudarão, apenas por que nós queremos, por que não mudam. Nem mesmo com exemplos. Nem eu devo esperar tanto delas. Precisa vir de dentro.
Talvez não seja eu a ensinar, mesmo por que como professora, estou me mostrando um verdadeiro fracasso. Mas, quem sabe, eu tenha que aprender, então, a lidar com isso.
Não é fácil, mas tijolinho por tijolinho, a gente chega lá! Basta querer!