segunda-feira, 30 de julho de 2012

ETERNIZAR UM MOMENTO


Todos que me conhecem sabem o quanto gosto de fotografias. Já é quase minha marca registrada: um livro numa mão e uma máquina fotográfica na outra. São ítens dos quais não me separo quase nunca.

Dos livros, me lembro que gostava desde que me dei conta de que era gente, mas das fotografias, não me lembro quando começou minha paixão.

Para mim, fotos tem o condão de congelar um instante, de eternizar um momento. Assim, estou sempre com uma máquina na bolsa, por que gosto de estar preparada para quando não me contentar em registrar apenas com os olhos.


É muito interessante para acompanhar o desenvolvimento de uma criança, por exemplo. As nossas diversas fases de vida também ficam ali registradas e eternizadas.

Através das fotos, conseguimos capturar uma emoção ou mesmo uma situação que jamais se repetirá.


Através das fotos, conhecemos pessoas que faleceram ou que estão distantes.

Através das fotos, revivemos alegrias e tristezas, momentos marcantes ou até amenizamos saudades insuperáveis.

Através das fotos, conhecemos muitos momentos de histórias pessoais ou mundial.

Através das fotos, muitos saem da obscuridade, do anonimato, para a fama.

Através das fotos conseguimos presentificar aquele momento, aquelas pessoas, aquela situação.

Ao olharmos para uma foto, nossa mente viaja, nossa imaginação se acelera.


Fotos conseguem que emoções venham à tona, emerjam, de nosso mais profundo sentimento.

Muitas pessoas não gostam de posar para as lentes de quem quer que seja e há outros que fazem qualquer coisa por um clic.

Por que não querem sair em uma foto? Timidez? Ou excesso de perfeccionismo? Problemas com a auto imagem? Os motivos variam, mas nos fazem refletir mais detidamente sobre esse assunto.


E os que querem sair em fotos a qualquer preço? Vaidade? Ou apenas o desejo de congelar o seu momento?

Nunca tive problemas em sair em fotos, mesmo nas fases mais desfavoráveis. Um ângulo resolve tudo. O importante pra mim sempre foi guardar aquele momento de alguma forma. Mas gosto muito mais de fotografar, por que vejo ângulos que os outros não perceberam. Isso envolve não só observação, mas sensibilidade também. E é aí que reside o bom fotógrafo: a sensibilidade para perceber não só os ângulos, mas o que aquela situação traduz.

Quer fotografar bem uma criança ou animal? Deixe-os espontâneos. Nada pior do que uma criança 'engessada' pela lente exigente do fotógrafo, que não percebe a delícia que é um sorriso espontaneamente infantil. Faça-a rir e terá a foto mais gostosa de se olhar e embevecer. Ou então, fotografe-a sem ela perceber, em momentos absortos de felicidade ou concentração.

Seduza seu fotografado para que ele revele seu melhor ângulo e demonstre naturalidade, como se fizesse isso o tempo todo. Converse com ele enquanto fotografa, por que assim ele irá se soltando e tudo fica mais descontraído. Não se torna uma tortura ficar parado em frente à câmera. Tem pessoas que levam séculos para conseguir enquadrar e finalmente clicar. Isso deixa os modelos ansiosos e irritados.


Gosto de fotografar não só pessoas, mas principalmente paisagens e coisas inusitadas.

Que delícia poder registrar aquele nascer ou pôr-de-sol que nunca mais se repetirá, mesmo que o sol nasça todos os dias. Nenhum será, jamais, igual. Nossa memória é falha, não conseguimos guardar tudo, mesmo por que o cérebro é seletivo e se desfaz do que não é essencial.


Há fotos que nos levam às gargalhadas não é mesmo? Principalmente as antigas, por causa da moda da época. As dos anos 70 são as mais divertidas! Em outras, a risada se dá por conta das poses, muitas vezes involuntárias. Há aquelas que se tornam uma ilusão de ótica, por causa da mistura de braços, pernas, cabeças e nada é o que parece ser.

Mas as fotos que mais nos impressionam são aquelas que não se precisa de nenhuma palavra, apenas a imagem nos traduz o que o autor quis dizer.

Perceba, nestas sequencia de fotos que selecionei abaixo, como isso é verdadeiro e todos os sentimentos e emoções que elas despertam em ti.


Como se diz por aí, “uma imagem vale mais do que mil palavras”.







segunda-feira, 23 de julho de 2012

TRÂNSITO – GENTE FOLGADA!




Quando a gente pensa que já viu tudo...

Hoje fui ao banco, a pé. Quando retornava, à alguns metros de mim, na via pública, um fiat uno, preto, parou em cima da pista no lado oposto. Os faróis acesos, uma buzina que tocava insistentemente, fiquei com pena do pobre condutor, por que atrás dele se formava uma imensa fila, devido ao horário. Ainda pensei: “Coitado do homem! O carro deve ter quebrado...Que gente sem paciência! Mas por que ele não liga o pisca-alerta, então? E por que as pessoas não passam pra outra pista?” Ocorre que ele estava no lado em que os carros não podem parar nem um segundo, devido ao fluxo de veículos. Se ainda fosse do meu lado da via, mesmo que num ponto de ônibus, talvez as pessoas fossem mais compreensivas, já que esperam que naquele lado muitos carros possam parar. Quando eu já estava me aproximando do veículo, vi, entre pasma, perplexa e indignada, que quem buzinava era ele e que logo duas mulheres, parecendo evangélicas, com idade entre 50 e 60 anos, entraram, cada uma por vez no carro (pois só tinha duas portas).

Ou seja, ele formou toda aquela fila, parando em cima da via pública no lado esquerdo de uma rua com apenas um sentido, para pegar suas caroneiras e a buzina era para chamá-las! Ele tinha buzinado umas 4 vezes pelo menos. Dá pra então, perceber que não foi rápido. E as mulheres com a maior cara-de-pau, bem lentamente, entraram no carro como se estivessem num estacionamento!!

Eu cheguei a abrir a boca, não acreditando naquilo!

Outro dia, na semana passada, eu era a motorista. No trajeto que fazia para me dirigir ao trabalho, naquele trecho, tinha 3 semáforos, todos abertos. Eis que me deparo com outro motorista, de mais ou menos 20 e poucos anos, parado num deles, querendo fazer uma conversão a esquerda num cruzamento (ou seja, ainda estava no lado oposto da calçada, como o primeiro motorista). Se já não fosse suficiente o sinal estar aberto e ele não poder parar de jeito nenhum, ele ainda queria entrar numa rua que não podia por aquele ângulo, apenas se fizesse um retorno mais na frente ou se estivesse vindo do sentido que cruzaria a nossa pista. Pra finalizar, como o sinal estava aberto no sentido contrário também, pois cada rua era de apenas um sentido, ele teria que esperar o nosso sinal fechar (para o do sentido oposto fechar na mesma hora), as pessoas do cruzamento atravessarem ou então ele se meter na frente de um deles, provavelmente causando um acidente.

Como eu estava logo atrás dele (e preocupada que um desavisado apenas vendo o sinal aberto não notasse que estávamos parados), buzinei e fiz um gesto para o alto, mostrando que ele tinha que seguir por que o sinal estava aberto para nós. Ele apenas me olhou pelo retrovisor externo, fez uma cara de enfado e continuou bem sentadinho no mesmo lugar. Eu me exasperei com a afronta! Buzinei repetidas vezes antes que o sinal fechasse e ainda me encontrasse ali. Por fim, ele conseguiu atravessar antes que o sinal fechasse e eu saí cantando os pneus, extremamente irritada. Segui bufando até meu local de trabalho. Me surpreendi comigo mesma, com a força da minha raiva, mas é que não consigo aceitar uma coisa como esta acontecendo! Quando me fecham no trânsito, não ligo muito, por que estou sempre atenta e consigo evitar alguma coisa, mas em situações como fila dupla e coisas francamente abusivas, liberto meus piores instintos. Ainda bem que não ando armada!

 

Às vezes, a gente também quer fazer coisas que não deve, por que “é só um segundinho”, isso acontece com todo mundo. Mas, nesses casos, acho que realmente é só um segundo e a gente sempre procura tumultuar o mínimo possível, não interrompendo, não interferindo, não bloqueando nada. Eu não ligaria se ele entrasse naquele cruzamento se houvesse condições de o trânsito fluir normalmente, mesmo que ele estivesse errado. Já vi isso centenas de vezes, mas são pessoas que fazem um cálculo bem preciso, percebendo que o carro atrás está distante, que na via oposta não vem ninguém, ou está bem distante. Mesmo que aí resida algum risco, ele é mínimo. Tudo bem! Ele ganha tempo e não atrapalha ninguém. Continua não sendo certo, mas ele está sendo um pouco coerente, por que aquela proibição vale numa situação como a que eu vivi, em que não dá pra fazer isso e por isso, se colocou a sinaleira ali. Mas em situações que dá, sem prejuízo pra ninguém, não me importo. Se ele tiver atenção e agilidade, dá pra cometer pequenas infrações sem riscos.

A questão é que muitas pessoas são extremamente egoístas e, com isso, ficam folgadas. Eles querem se dar bem, não importa a que preço!

Uma vez ouvi a Ana Maria Braga comentar que, no Japão, eles são tão disciplinados que, às 5 horas da manhã, sem vir carro de lado nenhum da via, os pedestres japoneses permanecem parados na sinaleira, aguardando-a abrir para   atravessar. Muito bem, é lindo isso! De uma disciplina ímpar! Eles são educados e precisam da disciplina para que as coisas funcionem, concordo plenamente. Mas não é ser um pouco bitolado também? Vamos ser práticos! Se eu percebo que não há riscos, que conseguiria ver um carro chegando a centenas de metros, que posso atravessar com segurança num caso assim, ainda ter que aguardar inutilmente o sinal abrir?

 

Acho que as leis é que nos dão um pouco de organização, de ordem, para que não vivenciemos o caos, para que se evitem acidentes, mas outra coisa é ser incoerente com a desculpa de ter disciplina.

O cinto de segurança, por exemplo. Acho uma lei pra lá de válida! Muita gente só usa por que pode ser multado se um guarda ver, mas eu uso por que tenho consciência que há riscos, sim, se não usar.

Mesmo em trechos curtos, na minha rua mesmo, NUNCA saio sem cinto. Uma criança, um cachorro, que atravessem de repente podem, sim, me fazer bater com o rosto no parábrisas, ou no volante, e me machucar, mesmo em baixa velocidade. A lei não é só para multar, mas para infringir uma pena para que as pessoas se conscientizem, por que muitos só aprendem quando a situação envolve dinheiro, infelizmente.

Há leis ridículas e esdrúxulas, mas mesmo assim são leis.

 

O que me refiro a seguir a lei é no sentido de me proteger (e aos demais) de acidentes, não por que vou pagar uma taxa por desobedecer. É claro que pesa no bolso, sim, mas acho que devemos nos conscientizar do por quê se fez aquela lei e precisamos segui-la.

É como o aluno que cola numa prova. Não é ao professor que ele está enganando, mas a si mesmo. No entanto, tem coisas que caem em provas que não faz nenhum sentido aprender mesmo, não servirão pra nada.

Acho que gente deve refletir sobre quando a situação exige que se cumpra o que foi determinado e quando se pode transgredir suavemente, se é que existe isso de 'suavemente' numa transgressão.

“DURA LEX, SED LEX...”


 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

QUANTO VALE?




Todos os dias passo em frente a uma loja de decoração e fico 'namorando' com um vaso que vejo na vitrine (mas parece que é platônico. Ele nunca retribui...)

Até que um dia desses, casualmente, vi a etiqueta com o preço bem à vista. Não acreditei que aquele vasinho (aliás, um par) custasse aquilo tudo. O vaso maior era cerca de duzentos reais e o menor cento e sessenta, se não me engano.

E aí me perguntei intimamente que critério se usa para colocar o preço num artigo hoje em dia. O tal vaso é simples, mas achei muito charmoso. Só. Não sei se é importado ou de um material caro, que justifique tal exorbitância, mas até mesmo pra mim, que não costumo pechinchar, estava demais. Simplesmente ele não valia aquilo tudo! Simples assim. Não achei caro pelo valor em si, mas por avaliar aquele vaso como algo aquém do preço pedido por ele.

Meu 'romance' com ele acabou antes de começar...



Mas esse não foi o único exemplo de valores inadequados. Leio mensalmente uma revista que tem de tudo um pouco e onde tem aquelas páginas de dicas sobre moda, maquiagem, cosméticos em geral, perfumes, calçados, etc.

Não canso de me surpreender no editorial de moda quando vejo roupas esdrúxulas, que ninguém deverá usar.

Mas, mais ainda, quando vejo um traje simples, mas caro, porque  tudo ali é de grife. Camisetinhas 'básicas' de duzentos, trezentos reais. Não tem NADA demais naquela camiseta! Um traje em que a sandália, custava exatos R$ 1.278,00 !! Era mais cara que a roupa toda! Lenços, cintos, clutchs, enfim, todo tipo de acessório, custando exorbitâncias! É claro que o material e o acabamento de um artigo contam muito, devem ser valorizados mesmo, mas o que me refiro é que parece que se perdeu a noção de valor na nossa sociedade. Falo aqui de valor material mesmo.



Acho que um artigo quando tem muitos custos para ser produzido, quando foi importado (Paraguay não vale), quando é de um material raro e caro, deve ser bem valorizado e pode custar mais caro. Paga-se o preço pela diferença do artigo, pela exclusividade, pela grife.

Mas quando são coisas comuns, sem nada demais, por mais que se olhe para averiguar isso, parece fora da realidade.

E o pior é que tem gente que dá esse valor todo!



Na verdade, a pessoa quer ter o artigo da moda, pra ter status, ser reconhecida por usar algo caro. Mas, quando pára pra pensar, será que essa pessoa tem noção do quanto isso é ridículo?

Estava vendo num site um carro que vale mais de sete milhões! Como se não bastasse, achei outro por cerca de dez milhões! Um carro! O que é isso?!!

Jogadores de futebol cujo salário mensal é astronômico! Apresentadores de televisão, de programas e de jornal, que também ganham muuuuuuuuito dinheiro. Por quê?

Sinceramente, não tenho nem invejinha branca, podem acreditar, mas me escandalizo com isso, por que pra mim, pelo menos, simplesmente NÃO VALE!



Pode ser um excelente profissional, mas NINGUÉM vale isso tudo!

Somos realmente o país das desigualdades, das injustiças, onde não se tem dinheiro pra saúde, educação e segurança, o básico, mas se paga muito por profissionais que são bons no que fazem, mas não são imprescindíveis como um médico, por exemplo.

Vi no telejornal, outro dia, pessoas sendo atendidas no chão por que não havia nem leitos, nem macas disponíveis. Pode?!

Não tem policiais nas ruas, a cidade foi tomada pelos criminosos, mas tem dinheiro para campanhas políticas...Pode?!

Os professores entram em greve todo ano, seja da rede estadual ou das universidades federais, mas sobra dinheiro para contratações milionárias seja em que esfera for. Pode?!

Parece que se perdeu a referência de valor (em todos os sentidos). Nossa sociedade está adoecida.

Precisamos, como diz aquele comercial, 'rever nossos conceitos'...

Urgente!



quinta-feira, 14 de junho de 2012

COTAS




"Cotas ampliam presença de negros no curso de Medicina da UFRGS"
Marcelo Gonzatto (Zero Hora)

Desde as 8h30min de quarta-feira, 13/06, antes restrito a uma maioria esmagadora de estudantes brancos, o curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ganhou uma proporção inédita de rostos negros na matrícula para o segundo semestre, feita ontem, graças a mudanças realizadas no mais recente vestibular. Mesmo com a implantação das cotas, em 2008, o ingresso de negros egressos de escolas públicas em cursos muito disputados como a Medicina era mínimo. No primeiro ano, por exemplo, somente brancos conseguiram superar a nota mínima exigida para ocupar uma cadeira na academia. A partir do último concurso, essa nota de corte foi eliminada. Isso facilitou o preenchimento das 21 vagas – de um total de 140 – destinadas ao programa de promoção étnica.
O perfil dos futuros médicos
Jéssica Franco
Idade: 20 anos
Cidade: Porto Alegre
Filha de professor estadual, Jéssica já tem planos bastante detalhados para quem mal pisou nos corredores da Medicina da UFRGS. Antes mesmo da conquista da vaga, a ideia inicial da egressa do Colégio Tiradentes, da Brigada Militar, era ser neurocirurgiã. Porém, pensando enquanto aguardava a matrícula, decidiu manter em consideração outras três especialidades, oftalmologia, cardiologia ou pediatria:
— A chegada dos negros à universidade é muito importante para corrigir uma questão histórica.
William Oliveira
Idade: 19 anos
Cidade: Porto Alegre
— Com uma entrada maior dos negros na universidade, teremos uma quantidade muito maior de médicos negros, que hoje praticamente não existem.
Para entender
30% para cotistas – 15% para egressos do ensino público e 15% para egressos do ensino público autodeclarados negros;

Como era :
A universidade selecionava um grupo de alunos com melhor desempenho, cujo número variava conforme a quantidade de vagas de cada curso, independentemente de serem ou não cotistas. Se não houvesse cotistas, eles não ocupavam as vagas destinadas a eles. Isso ocorria principalmente com os negros.
Como ficou:
Em vez de selecionar os melhores colocados em geral, a UFRGS passou a fazer três seleções: os melhores não-cotistas, os melhores do ensino público e os melhores egressos da rede pública autodeclarados negros.



Primeiramente ouvi esta notícia no rádio e depois pesquisei na internet para entender melhor.
Sou CONTRA.
Explico: Sou racista com o racismo dos brancos, não aceito que se discriminem as pessoas, principalmente por algo tão arcaico como a cor. Mas, neste caso está, sim, havendo uma discriminação, só que desta vez com os brancos.
A escravidão é, realmente, a chaga moral de nossa cultura, de nossa história, é vergonhosa.
Mas daí a tentar reparar um erro com outro...



Estamos falando de uma profissão com uma responsabilidade gigantesca, que é a medicina. Independentemente de ser esta, ou outra profissão qualquer, que requeira estudo superior, como poderemos confiar num profissional que não conseguiu nem passar no vestibular, no teste admissivo para alguém que, supostamente, terá mais qualificação, pelo menos intelectual?
Tudo bem que a raça negra nunca teve muitas oportunidades (e essa é uma questão histórica), que a maioria não conseguiu ascender socialmente, nem estudar em bons colégios.
Mas, já que é assim, temos que trabalhar na base, nas escolas que formam estas pessoas, que as alfabetizam, para que lá na frente possam competir em condições de igualdade, independente da raça, da cor.

É muito paternalista querer incluí-los, sem que eles apresentem condições para tal. Se a pessoa, branca ou negra, não teve uma formação adequada, não dá pra simplesmente alçá-la ao estudo superior, por que certamente ele poderá nem conseguir acompanhar. E isso é só a ponta do iceberg!
Além disso, para ser um profissional da medicina é muito caro, dispendioso. E isso nem tem a ver com faculdades particulares, com mensalidades, mas com livros e outras necessidades. Tenho um primo que é branco, não tem um nível socioeconômico tão ruim, é mediano, mas teve muita dificuldade para conseguir se formar em medicina, não por causa do nível intelectual, mas na questão financeira mesmo. E se formou na UFSC!


Então, desta turma toda de “futuros médicos negros” (olha a discriminação na reportagem e dos próprios negros) quantos conseguirão efetivamente se formar? Se pra uma pessoa de qualquer classe social, cor, raça, já é difícil, muitas vezes não acontece, o que dirá de uma pessoa que começa entrando pela janela e sem condições de ' bancar ' a faculdade?
Acredito que um negro tenha tanta capacidade intelectual quanto um branco, não avalio pela raça (embora japoneses sejam tradicionalmente conhecidos pela inteligência), mas se é assim, ele deve esforçar-se como os brancos pobres, que também não tiveram bons estudos, e passar no vestibular!
Se começarmos a abrir precedentes, que profissionais sairão das Universidades ou que colocaremos no mercado? Se tendo uma boa formação já temos profissionais muito ruins, completamente sem noção, imagine sendo assim?
Eu aplaudiria, sim, se um negro ou branco, que, com todas as dificuldades financeiras, conseguisse (como Juscelino Kubitscheck de Oliveira) se formar em medicina. Isso é digno de nota, de aplauso. Pra quem conhece a biografia dele, sabe das dificuldades que enfrentou pra ser médico. E ainda se tornou presidente do próprio país! E construiu uma cidade (da qual hoje se envergonharia) do nada!
E não precisou de cotas...


PERRENGUES





Lendo o texto abaixo, hoje, na coluna do Paulo Alceu, um jornalista muito conhecido por aqui, me suscitou essa crônica.

“VOCÊ QUER ENFARTAR? 14-06-2012


“É isso mesmo! Você quer enfartar, perder o humor, a paciência? Então faça hoje mesmo o seu cartão CLUBE ANGELONI e aguarde o seu cartão vencer. Entendam o caso: meu cartão venceu no mês 04/12. Simplesmente acabou o mês, acabou o cartão! No dia 1º do mês seguinte não adianta que não funciona mais! Se estivéssemos falando de empresas organizadas, antes do bloqueio definitivo do cartão eu receberia um comunicado alertando sobre o vencimento do cartão e, que em breve receberia um novo juntamente com o “cartão adicional”. Mas, como a coisa não é organizada, ninguém fez contato, até que resolvi ir até a loja do Supermercado Angeloni (Ivo Silveira), me dirigi ao balcão do tal CLUBE ANGELONI, onde fui informado que EU deveria ligar para o nº 4004-1481. Voltei pra casa sem cartão e no dia seguinte liguei para tal nº, pedi o novo cartão e me deram 15 DIAS de prazo para recebê-lo EM CASA, para onde a fatura é enviada todos os meses. Agora começa uma nova fase de relacionamento empresa x cliente. Bom, com o nº de rastreamento, vi que os Correios, fizeram a 1ª tentativa de entrega, detalhe, não havia ninguém em casa. Fizeram então, a 2ª tentativa e não foi entregue pelo mesmo motivo. Eu trabalho das 13 às 19 horas e o carteiro só nos dá a honra de sua visita à tarde. Será que tenho que reservar um dia da semana para agendar a visita do carteiro? Mas, também, não deixou um aviso na caixinha que passou por ali e que eu buscasse minha correspondência na agência. Então, foi feita a 3ª tentativa, EU não estava em casa. Imediatamente no dia seguinte fui até a agência do Correio e o cidadão me diz que a correspondência já havia retornado ao remetente por motivo de SEGURANÇA.
Eles não esperam nem um dia a mais. Retorno então a ligação para aquele nº de telefone do CLUBE ANGELONI, e a atendente me diz que como foram feitas as tentativas de entrega e eu não me encontrava em casa, eu deveria solicitar a emissão de um novo cartão e aquele que retornou seria bloqueado e sugeriu que eu colocasse o endereço comercial. Aceita a sugestão, troquei meu endereço para o comercial e novo prazo me foi dado (15 dias). Notem que já estou no segundo cartão. O mês de maio acabou e eu continuo sem cartão. Já estamos no dia 11 de junho e acabo de receber, agora a pouco, a tal correspondência guardada de toda SEGURANÇA e sem o cartão adicional! Mas que tal SEGURANÇA é essa que quem a recebeu não fui eu e sim um terceiro que não conheço.
Por que então a correspondência não foi enviada para a loja do CLUBE ANGELONI, onde fiz o cartão? Será que é tão perigoso enviar para a loja? Recebido o cartão, liguei para fazer o desbloqueio, depois de tantos disque 1, disque 2, nº do CPF, nome da mãe, etc., consegui falar com a atendente, que por motivo de SEGURANÇA me fez mais um monte de perguntas que pacientemente as respondi. Ao final, após todas as perguntas respondidas, a atendente me informa que o cartão que acabo de receber é aquele primeiro que foi devolvido e, que ele não poderia ser ativado e que EU deveria solicitar um novo cartão (o terceiro) e, pacientemente aguardar mais 15 dias para recebê-lo. E aí, o que devo fazer? Só me resta manter em dia meus exames cardiológicos, não é?

Edson Prazeres / São José “



A “saga” desse pobre homem me fez lembrar de outra pessoa: EU mesma!
Quantas vezes passei por percalços desse tipo? E minha indignação e forma de narrar é quase idêntica!
Fico abismada que essas empresas além de criarem um problema pra gente, ainda se achem com razão! Eles se comportam de uma maneira que me deixa chocada, por que tratam desses absurdos como se isso fosse uma coisa 'normal', uma coisa natural. Os atendentes fazem um ar blaisè quando, meio enfastiados, tem que nos explicar situações inexplicáveis!


Acho que o que me surpreende é que é um raciocínio lógico, óbvio, e as pessoas que trabalham com isso NÃO vêem!
Eles (empresas) criam uma 'burrocracia' que atrapalha a vida do cidadão comum e que traz muitos transtornos, principalmente de perda de tempo.

Tá certo que, no caso desse homem, ele foi um pouco lento em algumas atitudes, não conseguiu prever, se pró-ativo, ou nunca passou por isso. Às vezes, a gente é que precisa ser prático e ir cortando os caminhos, prevendo situações, pra não se incomodar. Mas, realmente, o que me deixa muito perplexa é que, além de criar a situação (empresa), os atendentes que lá trabalham acham que “é tudo simples, é só aguardar, é só passar lá, é só...” Eles não questionam a empresa, não agilizam, não percebem que podem transformar aquela situação, beneficiando a todos: empresa/cliente e ele próprio, atendente.
Poderíamos justificar que 'eles são só empregados', mas por que seguir tão bovinamente as instruções?



Quem é pró-ativo, se antecipa aos problemas, e, principalmente, fornece SOLUÇÕES !! Não tem medo de sugerir, de contornar, de ter atitudes que não vão influir em nada na empresa (que muitas vezes nem sabe de tudo isso que causou), mas pelo contrário, irão melhorar a relação cliente/empresa.
Esse 'cara' tornou público algo que, provavelmente, muitos já passaram e que agora 'manchou' a imagem da empresa para os que não sabiam disso, fez uma propaganda negativa. E agora pra reverter?


Nesse caso específico, acho que nem foi tão grave assim, mas há situações em que é quase impossível desfazer um mal-entendido, principalmente na mídia. Acho que pra uma empresa, pra um negócio, a imagem é tudo! É aquela história de “atirar um grande punhado de penas do alto de um edifício e depois tentar catar tudo...”
No Brasil, temos uma cultura muito deficiente com relação ao profissionalismo, a solução de problemas, e todo mundo acha normal.
Acho que temos um longo percurso pra caminhar ainda, mas tenho esperanças!



quarta-feira, 13 de junho de 2012

SIMPATIAS & CIA.




Hoje é dia 13 de junho, dia de Santo Antônio.

Como ele é conhecido como o Santo Casamenteiro (não me pergunte o por quê), nesse dia as “moças casadoiras” (que termo mais antigo, Deus do Céu!), costumam fazer simpatias pra ver quando irão se casar (verdade seja dita, é pra saber se desencalham mesmo. Não é a toa que é logo no dia seguinte ao Dia dos Namorados: é pra 'dar esperança'!).


E eu já fiz muita simpatia nesse dia, até descobrir que esse Santo não é de nada, é tudo midiático.

Sério!

É tudo uma ilusão, fake, perfil falso.

Não sei de onde veio essa fama, mas ele já deve ter sido bem mais eficiente na sua função.

E sabe que eu era mais feliz quando acreditava em simpatias? Esse negócio de tentar sempre ser racional pode ser muito coerente, mas não é divertido...Já nas simpatias é tudo muito lúdico, pueril...

É chato, mas tenho que desmascarar esse Santo. E vai ser agora!


Então, vamos analisar algumas simpatias:

  1. Passe sobre a fogueira um copo virgem contendo água. Depois amarre a aliança de uma mulher casada, enrolada em um fio de cabelo. Reze uma Ave Maria. Tantas são as pancadas dadas pelo anel nas paredes do copo quanto os anos que o pretendente terá de esperar para se casar. (essa eu fiz. Não deu certo.)


 

  1. A meia noite do dia 23, introduza uma faca virgem numa bananeira. Reze uma Salve Rainha; depois disso você tem que voltar pra casa sem olhar para trás. No dia seguinte, aparecerá na faca a inicial do noivo ou noiva. Se não aparecer nada é porque não haverá casamento. (essa eu também fiz. Idem.)


 

  1. Logo na manhã do dia 12 de Junho, véspera de Santo Antônio, compre um metro de fita azul, de qualquer largura, e escreva nela o nome completo da pessoa amada. Guarde a fita junto ao seu coração. À noite, conte 7 estrelas no céu, e enquanto conta faça um pedido ao santo, para que ele ajude você a conquistar o coração dessa pessoa. No dia seguinte, amarre a fita nos pés da imagem de Santo Antônio e deixe lá, até conseguir namorar com ele ou com outro de seu agrado.


 

  1. Pegue na imagem do Santo Antônio, e fale com ele. Diga-lhe que enquanto ele não lhe arranjar um namorado ficará no frigorifico. Coloque a imagem no congelador. Retire-o de lá quando o seu amor lhe bater à porta. (Fiz algo semelhante. “Roubei” o Jesuzinho dele. Aliás, nunca entendi: por que ele segura o Menino Jesus?).

Raciocine comigo. Essa simpatia número 3, por exemplo: qual a explicação pra cor da fita? Por que azul ?

E o que tem a ver colocar o nome da pessoa nela? Guardar junto ao coração pra que?E as sete estrelas, qual o objetivo?

Vamos a de número 4: São muitas as variantes, mas o caso é sempre torturar o santo pra ele obedecer.

A de número 2, até tem sua lógica. A faca sendo virgem, tem maior probabilidade de fixar a secreção da bananeira.

Mas a letra que se formar ( e isso tá nos olhos de quem vê) pode variar de ano pra ano. E aí? Como resolver esse problema?

E se não aparecer letra nenhuma? Quem curará o trauma dessa infeliz?!

Mas e por que não se pode olhar pra trás? (Acho que deve ser pra aguçar a imaginação, o mistério...)

E, finalmente a primeira: porque o copo tem que ser virgem? Até ele? Hoje em dia vai ser mais difícil...

Aliás, já percebeu que sempre tem duas prerrogativas na maioria dessas simpatias? A virgindade dos objetos e uma oração. Deve ter seu sentido...

Bom, por ser espírita, acredito que viemos com um plano reencarnatório traçado. Se vamos cumpri-lo ou não, já é outra história.

Sendo assim, por que temos necessidade de 'obrigar' o destino, digamos assim, a atender aos nossos desejos para que a pessoa que naquele momento estamos interessada(o)s fique com a gente, inclusive casando? Será realmente o melhor?



Acho que é bem do ser humano isso.

E é também aí que reside o sucesso das promessas, por que as pessoas querem negociar com os santos, do tipo “faça isso, que eu faço aquilo”, como se o santo tivesse necessidade de velas acesas e sacrifícios!

Acho que as pessoas tem essa necessidade de “puxar a brasa pra sua sardinha” e, pra isso, vale qualquer negócio, como simpatias ou promessas. 

Há quem faça e ainda diga: “eu não acredito, mas na dúvida, né?” Na verdade, já está acreditando. Se não acreditasse, não faria. O benefício da dúvida pressupõe que possa acontecer, abre um precedente.

Nisso tudo, o que é certo mesmo, é que o pensamento tem muita força e que pode, sim, fazer milagres.

No entanto, tudo no Universo é regido por sábias leis e, se nós não sabemos o que dissemos, o que pedimos, Deus sabe o que faz! Com certeza!